O carro solitário

Ano 2037. Depois de alguns anos atuando com carros automáticos, Uber finalmente aceita o registro por usuários dos seus próprios carros automáticos. Para alguns foi uma espera infinita, já que a possibilidade de atuar como motorista já não era mais vantajoso.

Carros automáticos não se importam em repassar todos os seus lucros ao seu dono. O carro só precisa do valor para sua manutenção, pequenos reparos e combustível. O motorista precisava de uma certa margem de lucro e ainda tinha que repassar um percencual para o Uber. A eficiência de carros automáticos era imbatível e tornou os preços praticados pelos motoristas tradicionais praticamente abusivos.

Os carros eram mais eficientes tanto no consumo de combustível, quanto no cálculo da rota. Eles se comunicavam e escolhiam entre si qual seria a rota mais eficiente.

Os únicos motoristas que ainda conseguiam sobreviver eram os que faziam serviços para as pessoas que "não confiam em um carro que anda sozinho!". Mas mesmo esses, sabiam que o seu futuro estava contado pela diferença surreal dos preços.

Mas tudo poderia mudar agora com a aceitação do Uber. Pessoas poderiam comprar carros automáticos, cadastrar eles mesmos no Uber e deixa-los rodando para ter um dinheiro extra no final do mês.

Desde sua invenção, o Bitcoin foi a primeira moeda que poderia ser operada de maneira totalmente independente por um computador. Era a primeira vez que um computador poderia criar uma conta (uma cateira) e receber e pagar coisas com uma moeda. Já existia a possibilidde de movimentar contas bacarias via API's com os bancos, mas além da pouca segurança que isso gera, as contas sempre precisavam estar ligadas a alguma pessoa (física ou jurídica). O computador sempre estava movimentando a conta de terceiros.

Com o Bitcoin não há necessidade de registro. Uma carteira é facilmente criada e a partir daí é possível receber e enviar Bitcoins. Com a adoção quase que total para receber e fazer pagamento, muitos prestadores de serviços preferiam usar essa forma de pagamento, o que tornava o carro automático ainda mais autonomo. Ele poderia se abastecer, ou mesmo ir na oficina fazer os reparos necessários. Pagar e continuar a trabalhar sem interferência direta do dono.

Toda a transferência dos lucros eram enviados de hora em hora para o dono que deixava os valores suficientes para as manutenções de rotina.

O carro poderia rodar por anos sem interferência.

O Sr. Nogueira já estava aguardando o dia que o Uber iria liberar o registro para pessoas físicas. Depois de anos como motorista, ele ficou feliz ao perceber que poderia finalmente descansar e curtir sua pescaria sabendo que o seu carro estaria trabalhando para ele, com margens muito melhores do que as que conseguia com a vantagem de não ter o cansaço de dirigir horas por dia.

Registro feito. Sr. Nogueira setou os parametros necessários para o carro novinho começar o primeiro dia de serviço. Ele poderia rodar por anos até precisar da primeira revisão. Mesmo pequenos acidentes ele poderia se virar sozinho sem precisar de intervenção.

Quando estava se preparando para sair para sua pescaria, Sr. Nogueira sofre um infarto. Não foi possível avisar aos familiares sobre seu plano de viver da renda do carro automático registrado no Uber.

O carro rodou por 30 anos, se abastecendo e indo à oficina para reparos e revisão. Recebia dos clientes, pagava pelo combustível e reparos. Serviu à milhares de passageiros que não sabia estar andando em um carro sem dono. Completamente autonomo.

Disclaimer: Ouvi essa história (bem resumida) em um podcast e resolvi dar mais detalhes e informações sobre esse possível futuro.


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Escrito por Eduardo Elias em textos no dia segunda, 23 de novembro de 2015 às 20:45. Tags: Bitcoin,

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